Obra digitalizada pertencente a Biblioteca Nacional                       de Portugal- autoria ilegível
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Soneto do Caju


Amo na vida as coisas que têm sumo
E oferecem matéria onde pegar
Amo a noite, amo a música, amo o mar
Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.

Por isso amo o caju, em que resumo
Esse materialismo elementar
Fruto de cica, fruto de manchar
Sempre mordaz, constantemente a prumo.

Amo vê-lo agarrado ao cajueiro
À beira-mar, a copular com o galho
A castanha brutal como que tesa:

O único fruto - não fruta – brasileiro
Que possui consistência de caralho
E carrega um culhão na natureza.

Vinicius de Moraes

Hollywood, 28/9/1947